Mostrando postagens com marcador Existencialismo?; reflexões; Bom Canalha; Silverdani; Daniel Silveira; filosofia de botequim;literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Existencialismo?; reflexões; Bom Canalha; Silverdani; Daniel Silveira; filosofia de botequim;literatura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de abril de 2012

Rumo à Capital


Ela entrou no ônibus. Usava um vestido preto, os braços e as costas a mostra, assim como boa porção das pernas. Ah, as pernas. Com os pelos descoloridos, prenderam os olhos dele de maneira irremediável. Da poltrona, ele observava a majestade daquele corpo, a imponência daquela presença na fileira de bancos ao lado. E imaginava.
As mãos cruzadas sobre o colo, com as unhas cor de rosa. Vez que outra, puxava o vestido tentando esconder as coxas morenas. Implorava em silêncio, com os olhos, para que ela não cobrisse o refúgio onde a sua imaginação repousava naquele instante. Então, ela sentiu frio. Não fossem os pelinhos das pernas arrepiarem, ele nem teria percebido que o ar condicionado do ônibus havia sido ligado.

20/04/12

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Perdoem-me as Vânias

Finais de noite mal sucedidos sempre acabam em puteiros. Raramente se escapa desse lugar comum. O amor efêmero não se apresenta e a gente acaba buscando consolo para aplacar o sentimento não correspondido. Não se trata de nenhuma transgressão. É apenas utilizar-se de meios flexíveis para dar vazão a um impulso nobre que não foi correspondido – na verdade, um sentimento assassinado ainda no peito, sem nem ter culpa de ter nascido. Dele poderiam ter surgido linhagens de proeminentes diplomatas, advogados e administradores. Parlamentares até, quem sabe. Mas não. Quis o destino que fossem estranguladas em um preservativo, dentro de uma prostituta qualquer, que ninguém lembrará o nome. Até porque, se lembrar, de nada vale. A ordinária deve, como todas as outras, ter adotado um nome de guerra. Assim como Átila, o Huno, ou Alexandre, o Grande. Ela deve ter um nome sonoro como Vânia, a devoradora de homens. Seu sexo sufocará amores, aplacará, por instantes, dores que jamais cessarão. Ela será um antídoto amargo para todo coração vazio. E, como toda droga que se preze, vai viciar. Vai preencher aumentando o vazio. Tornará a busca mais angustiante e infindável. E o amor terá escapado mais uma vez, para se esconder em uma esquina suspeita e escura. Para seguir sem ser encontrado.